The Other Side – Endless Times

theotherside-endlesstimesNo autocolante colado na capa os The Other Side ostentam as suas influências. Joy Division, Peter Murphy e Nick Cave and The Bad Seeds. Todos grandes nomes que tiveram um papel determinante na evolução da música alternativa. Mas mais do que revelar as influências da banda, mais do que dar pistas aos ouvintes relativamente ao tipo de sonoridade da banda, este autocolante é usado como um carimbo de qualidade.

Na verdade, das influências enumeradas, a única que se traduz inquestionavelmente na sonoridade dos The Other Side é a de Peter Murphy. De resto, tirando a semelhança com Ian Curtis na forma de cantar, os anos 80 só aparecem em Endless Times de uma forma estereotipada, caindo-se vezes sem conta em alguns clichés. As referências à noite, às lágrimas, às estrelas e ao frio são quase constantes, evidenciando o esforço feito para criar ambientes poéticos, dignos de um clássico neo-romântico mas que, por serem forçados, parecem sempre artificiais.

Algumas das músicas de Endless Times não trazem nada de novo. Poderiam ter sido feitas por qualquer uma das novas bandas de música alternativa. “Static Skies”, “Wonder”, “Reflections”, “Locomotive” e “So Close So Different” revelam em que estilo musical os The Other Side se encaixam, mas não dizem nada sobre a sua personalidade, sobre as suas especificidades.

Felizmente as outras músicas indiciam um futuro promissor para os The Other Side. “Loneliness” tem o seu grande trunfo nas teclas, que a tornam memorável. “The Reason Why”, após uma primeira parte monótona e melodramática, explode intensamente, num rasgo épico de energia (os falsetes eram dispensáveis!). “Until the Time to Change” e “Behind All My Dreams” conseguem ser atmosféricas e seriam candidatas fortíssimas a uma banda-sonora de um filme independente. Mas o ponto forte de Endless Times é sem dúvida “This Night”, a mais bem construída, a mais épica, a que conjuga de forma mais interessante e equilibrada os elementos electrónicos e os intrumentos.

Endless Times é um bom álbum de apresentação de uma banda que, longe de estar a tirar partido de todo o seu potencial, ainda procura um caminho. E esse caminho terá de passar necessariamente por se diferenciarem das outras bandas, para deixarem de ser uma das bandas que veio à tona aproveitando a onda de bandas influenciadas pelos anos 80, sob pena de quando a moda passar voltarem às profundezas dos oceanos. A aposta na produção das músicas é um dos pontos críticos, procurando uma sonoridade mais polida, mais diversificada, dando a cada música o que ela precisa, em vez de a obrigar a adaptar-se ao esquema guitarra, baixo, bateria e teclas. As músicas precisam de respirar, de evoluir naturalmente, de marcar a sua posição. E para isso os The Other Side têm de estar dispostos a arriscar mais.

7/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 29, Abril, 2008.

 
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