Mastodon – Blood Mountain

O terceiro registo de longa duração dos norte-americanos Mastodon foi aguardado envolto em grande expectativa, depois do muitíssimo bem sucedido e arrebatador Leviathan (2004), onde a banda afirmou a sua genialidade, que ficara já alinhavada em Remission, editado em 2002. Blood Mountain chega-nos assim este ano, para matar a sede aos que haviam ficado a salivar por mais. Salivem um pouco mais, por favor.

“The wolf is loose” abre as hostes numa tentativa de deslumbrar, e quase chuta ao poste, não fossem os excelentes pormenores do baterista Brann Dailor, que é a verdadeira estrela da companhia ao longo de todo o trabalho, absolutamente irrepreensível. Apesar desta mais valia, “The wolf is loose” deixa de facto água na boca a quem ainda tem presente a demolidora “Blood and thunder” a abrir o álbum anterior.

O trio que se segue já está bem mais próximo daquilo que no mínimo se poderia esperar do sucessor de Leviathan. “Crystal skull” e “Sleeping giant” atiram com a pontinha de dúvida e surpresa que poderia existir depois da entrada a passinho de bebé de “The wolf is loose”. São talvez as duas faixas que melhor caracterizam o som que os Mastodon têm feito dentro do metalcore, sobretudo em Leviathan e também agora em Blood Mountain.

Dispensadas as passagens demasiado robóticas em “Circle of cysquath” e teríamos com toda a certeza o melhor tema de Blood Mountain, aquele por que se espera um concerto, mas as intromissões mecanizadas quebram a dinâmica do tema, que colado ao seguinte, “Bladecatcher” nos causam uma certa dormência, sobretudo pela monotonia do segundo, que se torna enfadonho de tão repetitivo.

Mas como depois da tempestade vem a bonança, naturalmente somos brindados com mais uma daqueles rasgos de genialidade que o quarteto de Atlanta oferece: “Hunters of the sky”, “Hands of stone” e “Siberian divide”. De uma execução complexa e exímia, sobretudo a segunda, com riffs devastadores e Dailor a trocar-nos as voltas na bateria mais uma vez. São temas como estes – prodigiozinhos – que nos deixam boquiabertos e semi-perplexos perante a capacidade de criação e inovação dos Mastodon.

O registo oferece, em comparação com Leviathan, um maior cuidado com a captação das vocalizações, o que gerou uma maior diversidade de tons, e que não foi necessariamente positiva: por vezes parece que simplesmente os instrumentos e a voz não se fundem, não encaixam. “Colony of birchmen” é o melhor exemplo e o maior tiro ao lado de Blood Mountain.

O álbum encerra com “Pendulous skin” e deste tema de facto pouco há a dizer: simples, para dizer basicamente que o registo acabou, cumpre a sua função.

Este era sem dúvida um dos registos mais esperados para 2006, e também era um facto que era de Leviathan que se falava enquanto predecessor. A fasquia era alta, e os Mastodon não se superaram, mas é também verdade que não se podem fazer duas obras-primas.

7/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 22, Setembro, 2006.

Uma resposta to “Mastodon – Blood Mountain”

  1. […] deixam boquiabertos e semi-perplexos perante a capacidade de criação e inovação dos Mastodon. (ver crítica) • […]

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